sábado, 24 de dezembro de 2011

Negra loura e a África tanzaniana: uma reflexao

Por Márcio Paim[1]

Este texto é uma breve reflexão sobre a “polêmica” instalada sobre a personagem “negra loura” criada por Cláudia Leite para o carnaval de 2012 em Salvador. Por ser produto de rápida análise, o texto foi redigido de maneira corrida (pois à medida que pensava materializa meu pensamento nessas palavras) e sem as formatações da ABNT. Penso que, a ausência das “ABNT” não deve servir como instrumento/argumento de “desqualificação” intelectual, já que, o objetivo é a liberdade de expressão e não a construção de um texto acadêmico.

Sábado 10/12/2011, ao retornar para Salvador vindo de Valença, percebi certa euforia de um grupo de pessoas no Ferry boat em torno de uma “nêga loura”, só que não dei muita atenção por achar que se tratava de uma brincadeira entre os membros do grupo. Até aí, não tinha conhecimento do que se tratava. No domingo pela manhã, ao retornar da padaria, na passagem, encontro um amigo que diz: depois quero falar com você, e me pergunta se eu vi a “negra loura”! Imediatamente fiz a relação/ligação com a “negra loura” do ferry. No domingo à noite, o velho ditado de que: “o povo aumenta, mas não inventa” se confirmou de forma veemente só que, com a informação equivocada de que Claudinha Leite “ iria se pintar de preta”, para interpretar uma negra, no sentido de mostrar sua dívida e homenagear essa coisa louca e contagiante que é a negritude de Salvador.

O coração disparou! Se pintar de negra na maior cidade em números de negros fora do continente africano para mostrar  que também tem negro na família! Cê tá de sacanagem comigo né mano, foi o que pensei no momento! Na segunda-feira, 12/11/2011, após uma conversa com minha companheira, ela me falou a respeito da “polêmica” instalada – pois não estava sabendo – em Salvador em torno da criação de uma personagem (negra loura) interpretada por Cláudia Leite. Fui consultar a internet para obter mais informações, ou informações mais precisas sobre esse assunto, e encontrei no site: http://musica.uol.com.br a seguinte chamada: Cláudia Leite vira “negra loura” e planeja show em estádio. Descobrir que a ideia de se pintar de negra, era falsa! Ao ler a reportagem, fui informado de que esta personagem será criada a partir do apelido, dado por Carlinhos Brown, e que está cantora adotará no sentido representar as influências musicais negras que esta “estrela” introduz em seu trabalho. Não me interessa aqui nesta reflexão problematizar os motivos que levaram Brown denominar Claudinha Leite com esse nome, mas na minha interpretação, acho que esse apelido dado por ele é uma forma de dizer carinhosamente: Você é uma das nossas apesar da sua pele branca e seu cabelo louro! Na Bahia costuma-se fazer referência aos brancos “solidários” à causa dos negros como: brancos de alma negra, ou, é muito comum afirmar, a depender do contexto que há brancos tão negros quantos os próprios negros à medida que estes optam em enfrentar as adversidades para fazer parte de um “mundo negro”.

No que diz respeito ao ato de criar, penso que a criação é um ato sublime, principalmente quando o mesmo, está ancorado e comprometido em dar voz a indivíduos e acontecimentos silenciados pela narrativa dos vencedores, assim como, quando os personagens, produtos da criação conseguem tocar as profundezas da sensibilidade deixando uma mensagem que além de chorar nos faz refletir. Por isso não vejo nenhum problema no ato de criar. O problema surge quando se faz uma relação entre o personagem criado e o contexto o qual a criação está inserida! Transpondo o sentimentalismo – da reciprocidade da amizade entre Cláudia Leite e Carlinhos Brown –  o que é realmente uma “negra loura” em Salvador? Qual o impacto dessa personagem em uma cidade onde parte significativa do seu contingente populacional (negro) sobrevive nos limites da dita “linha da pobreza”? Mais, qual o impacto dessa personagem em um ambiente que reina o discurso da obrigatoriedade da lei do ensino da história da África e da cultura afro-brasileira e onde se fala da construção positiva da imagem da África e de suas populações? Será que uma “negra loura” a essas alturas do campeonato tem alguma contribuição a dar nesse sentido?  Essa discussão pode ser feita a partir de duas perspectivas: a popular e a acadêmica. Na perspectiva popular-povão, o visual é o que mais importa, ou seja, tudo está no visual.

Na perspectiva acadêmica, tem importância os discursos produzidos pelos analistas sobre aquilo que se vê. Nesse sentido, o impacto e os discursos produzidos sobre a personagem da negra loura de Cláudia Leitte devem ser analisados. Deve-se considerar acima de tudo o local de onde se fala. Salvador: capital do estado com o maior número de negros entre os estados da Federação; maior cidade em número de negros fora do continente africano; Brasil, país com o maior número de negros em seu contingente populacional fora do continente africano. Não podemos nos esquecer da conjuntura aberta pelo decreto 4228 a partir de 13 de maio de 2002 que institui a introdução de ações afirmativas e que faz da década de 2000 o período em que as autoridades governamentais, de fato, deram um passo significativo no combate ao racismo e na desigualdade gerada por ele.Imprescindível mencionar que nesse contexto, a imagem consolidada da Bahia – a baianidade nagô – para o restante do país e do mundo a partir de “porta-vozes” como Gilberto Freyre, Dorival Caymmi, Jorge Amado, Câmara Cascudo entre outros, é a de uma terra caricatural, folclórica, mítica, onde todo mundo é de candomblé, onde todas as mulheres, principalmente as negras, estão sempre dispostas ao sexo, assim como os homens negros, que ainda hoje, servem como experiências mitológicas das mulheres brancas que tem como uma de suas principais fantasias sexuais: transar com um negão e conferir de fato, se eles estão no lugar o qual a mitologia sexual peniana euro-ocidental estabeleceu para eles, os negros! Onde é verão e alegria o ano todo, onde não existe racismo, ou melhor, onde o racismo é mais “cordial” e subsumido, onde ninguém se estressa com absolutamente nada! , onde as pessoas estão o ano todo com o sorriso estampando na cara, mesmo passando fome, ou seja, uma cidade de idiotas! Um lugar onde se pode fazer de tudo que nada pega, o lugar onde é permitido a qualquer  aventureirozinho(a) – sem qualquer visibilidade em seu lugar de origem – jogar a mochila nas costas tentar ganhar a vida, fazer fama, carreira e virar autoridade, principalmente no campo das relações raciais, como tem acontecido – ou sempre aconteceu, não sei, não sou tão velho assim – em Salvador nos últimos anos.

“Esses oportunistas” enxergam em Salvador a oportunidade de construir – ou aumentar – sua prosperidade e suas fortunas – à custa dos um bando de ‘idiotas”, pois é isso que algumas pessoas do “Sul”, acham que nós baianos, somos – bem dentro daquela visão que os primeiros conquistadores tinham da América e da África quando invadidas desde o século XVI! É difícil constatar, hoje, que a ideia de uma Bahia mítica com seus habitantes “super-tranquilos” consolidada durante a primeira metade do século XX, está ilustrada na forçação de barra da personagem “negra loura” de Cláudia Leite que bando de bostéticos quer colocar goela abaixo da população com a justificativa de “diversidade cultural criativa”. Não se trata de crítica ao livre arbítrio da criação, e sim as pessoas que as fazem e da maneira irresponsável como fazem! É sórdido e intragável forma como a apropriação da cultura africana e afro-brasileira é feita descaradamente por pessoas que tem uma afinidade muito maior com a geração e os hábitos dos colonizadores, do que qualquer descendência com aqueles que foram colonizados! Uma personagem como essa, em um país, um estado e uma cidade que possui o maior contingente populacional de afrodescendentes fora do continente africano é um menosprezo a capacidade de raciocínio da comunidade afrodescendente que aqui habita,  além de esculachar a possibilidade de auto definição identitária, ou seja, na Bahia/Salvador em termos de identidade: somos tudo e não somos nada ao mesmo tempo! Na Bahia pode tudo e tem de tudo, tem até “negra-loura”! Fica muito claro que a personagem de Claudinha Leite é pura jogada de Marketing, fica muito claro que a dita cantora, não nutre qualquer tipo de relação com a África, nem com a cultura afro-brasileira nem com influência musical africana coisíssima nenhuma! Seu único compromisso, é com o lucro que a possibilidade da utilização da cultura africana pode trazer para ela ( como é muito comum no meio artístico – musical soteropolitano) , principalmente quando analisamos suas palavras ao dar uma entrevista dizendo: “Sou negra quando canto esse tipo de música, são minhas raízes”.

Ser negro, mais do que a cor da pele, é ter consciência do passado histórico e da ancestralidade a qual pertencemos e não a partir da música que cantamos. Pra mim, esse critério é novo! Uma declaração destas, vindo de uma pessoa com um imenso poder de mobilização pública – quantos políticos conseguem colocar mais de cinco mil pessoas em um ambiente público para ver seus discursos enfadonhos? – demonstra a apropriação descarada da cultura africana e afro-brasileira. Pior ainda, é seu figurino está influenciado nas indumentárias de tribos africanas. Pergunto-me, qual a concepção de África e de negro que está criatura – Cláudia Leite – e sua produção possuem, onde, para ilustrar a influência africana tem que buscar indumentárias de tribos? O conceito de tribo teve um uso bastante corrente no âmbito da antropologia do século XIX e da primeira metade do século XX, como uma forma de demonstrar a “incapacidade” das populações africanas de acompanhar o desenvolvimento urbano que tinha como parâmetro as habitações europeias. Devido a sua ambiguidade, passou-se a utilizar termos como: sociedades tradicionais ou sociedades antigas como uma forma de demonstrar a dinâmica das sociedades africanas em detrimento do conceito “racista” de tribo. Só que para Cláudia Leite e sua produção, esse tipo de discussão é para acadêmico e não para cantores de axé!  Fica nítido que a concepção tarzaniana[2] da África sustentada por Claudinha Leite e sua produção não é diferente da visão nutrida pelas elites racistas e monopolizadoras do Brasil e da Bahia. Para coroar a forssação de barra de Cláudia Leite como negra loura, temos que saber que: Sua equipe está viajando ao continente em busca de adereços e referências.

Ter que sair da cidade mais “africana” e negra, fora do continente africano para procurar adereços e referências sobre África pode significar três perspectivas: a primeira: apropriação simples e descarada da cultura africana, partindo do pressuposto de que na Bahia existe um monte de idiotas sem qualquer tipo de consciência racial onde qualquer moda que se lança cola, inclusive uma “negra loura”! A segunda; mostrar a capacidade que as pessoas tem de se “transformarem em negras” na Bahia, independente da cor da pele, ou seja, na Bahia tudo se ajeita, sem stress!;  a terceira, incutir na cabeça da comunidade afro-soteropolitana que essa ideia de conscientização racial é uma balela de militantes negros ressentidos que tentam enegrecer a história, e que na Bahia tudo é lindo, alegre, divertido e super-tranquilo. Outros exemplos de negros fabricados pelas mídias – principalmente a musical – e empurrados goela abaixo da população são bastante frequentes na Bahia. Basta ter que lhe dar com Daniela Mercury usurpando o título de representante da axé music, da Bahia e de sua cultura ( a cor dessa cidade sou eu, o canto dessa cidade é meu, dela no caso!) e vê uma negra lindíssima e charmosa como Margareth Menezes – com muito mais tempo de carreira – ficar secundarizada, embora com “sucesso”.

Ter que aturar músicos, artistas e cantores como protótipos de negros e representantes da Cultura negra da baiana – só porque se vestem com batas africanas – e vê uma voz como a de Lazzo, ter que desfilar em trio independente às 3 da manhã por não querer transformar sua música, em “música popular” como todas as outras; ter que engolir que um reggaeman como Edson Gomes com mais de vinte anos de carreira e que fazia reggae no Pelourinho antes de sua transformação turística, ou seja, desde o tempo em que o pelourinho era área de diversão para ladrões e profissionais do sexo, quem alcançou esse tempo? É duro vê o reggae de um cara como este, ser substituído na representação do reggae de Salvador, por uma caricatura de cantores de reggae representados por um grupo de playboys de classe média-alta que, ao terminarem seus “shows” voltam pra casa em seus próprios carros ou no dos amigos! Estou citando Edson Gomes que é o mais famoso, pois como ele temos outros cantores como: Dionorina, Ubaldo U’waru, Geraldo Cristal, Kebra Nagast, Kamafeu Twa e outros que jamais tiveram ou terão oportunidade de fazer sua música enquanto os abutres estiverem por perto! Esse é o tipo de igualdade (a deles) que está a se consolidar em Salvador.

São esses tipos de relações que fazem essa elite branca – na sua maior parte, de fora de Salvador – celebrar a “perfeição” da miscigenação baiana! É muito lindo celebrar essa miscigenação quando o maior contingente populacional que faz ela acontecer está na base da pirâmide, sem levar qualquer tipo de ameaça as elites monopolizadoras do poder! A “negra loura” de Cláudia Leite é a continuação desse  circo descarado, armado desde os períodos da escravidão, mantido e continuado com a ideia criminosa de “baianidade” a qual as elites brancas sulistas se deliciam. A “negra loura” de Claudinha é um desrespeito à memória de muitos e muitas que serviram de escada e “capacho” para os ancestrais daqueles que hoje se apropriam, enriquecem e ridicularizam a cultura africana e afro-brasileira. É um desrespeito aqueles que nunca tiveram a oportunidade de conhecer sua própria história para poder repudiar essa harmonia racial que eles estão querendo empurrar! Não podemos nos esquecer de que a euforia de muitas pessoas em querer ser negra (o) agora e se identificar com a África faz parte de um movimento fortíssimo de AFRO-CONVENIÊNCIA que está consolidando (sem esquecer suas ambiguidades e “benefícios”) em Salvador e tem atraído muitas pessoas de outros estados que agora se descobrem negras.

Eu pergunto, caso não tivesse havido a lei 10.639, o decreto 4228/02 e a lei 11.645, quantos desses fariam questão de se dizer negro? Ser negro hoje, a depender do contexto, para alguns, é estratégico, pois se abriu um mercado de africanidades e conhecimentos africanos e diaspóricos que até o momento quem domina e tem acesso, não é a maioria afrodescendente. Hoje todo mundo tem um avô e uma avó negros (e de forma alguma, quero negar que tenha havido casos em que isso tenha ocorrido) um namorado e outras coisas mais com alguém de cor, hoje é lindo, muito bonito ter acesso ao bônus de ser negro, o ônus ninguém quer! Isso se torna mais gritante quando transpomos os “limites” da música e adentramos a educação. Percebe-se que parte significativa de pessoas que falam de África, de racismo e de relações raciais nos espaços onde os conhecimentos são produzidos (em âmbito mundial) dificilmente passou por qualquer situação racial constrangedora. O que deixa chateado, é saber que muitos que falam da/sobre África e o racismo, dificilmente em suas vidas, foram constrangidos em abordagens policiais (Acreditando que abordagem policial não é, de forma alguma, condição para dizer quem é ou quem não é negro, correto? Mas só para se ter uma noção dos constrangimentos) com a “famosa” justificativa de que: estamos contribuindo para sua melhor segurança!; É muito difícil coabitar e saber que muitos que falam de África, do racismo e de outros assuntos correlatos raramente passaram pela experiência de, na época de suas graduações serem confundido com um funcionário dos SERVIÇOS GERAIS, só porque usava uma camisa da mesma cor (gola pólo azul) que o “pessoal da limpeza” e a professora nem sequer se deu o trabalho de olhar no rosto para saber que ela estava a tratar com o aluno da sua própria disciplina! Quando falo dos SERVIÇOS GERAIS, é bom deixar muito claro, não o faço no sentido de desmerecer o trabalho, pois todo o trabalho desde quando seja honesto, é digno! Mas falo no sentido de destacar que a função de SERVIÇOS GERAIS, hoje, na maioria das repartições públicas e privadas é quem mantém, estruturalmente, as instituições de ensino superior em funcionamento. Geralmente as maiorias das pessoas que fazem esse serviço são negra (o)s.

São os mesmos os quais muitos de nós passávamos todos os dias, durante os anos que estivemos nas nossas universidades, e nunca nos preocupamos em dar um bom dia! Eu particularmente, por onde passei, tive em contextos diferenciados, uma relação melhor com essa (e)s funcionários do que com muitos professores! As relações são mais abertas quando nos identificamos, pelo menos inicialmente! É importante deixar claro, antes que me interpretem mal, que sou contra a ideia de que só negros devem falar da África e do racismo, por entender que tanto um, quanto outro está direta ou indiretamente relacionado com a sociedade brasileira e não apenas ao contingente afrodescendente da população total do país! Corta a carne, saber que muitas professoras que hoje falam de África e de racismo, poucas vezes ou nunca, tiveram que passar pelo constrangimento (isso é só para se ter uma ideia dos constrangimentos a que mulheres negras estão submetidas)  de serem confundidas com “profissionais do sexo” por desfrutarem de um ambiente que a sua condição econômico-acadêmicas permitiu, ou seja, mulher negra em determinados ambientes, ou é doméstica ou “trabalhadora do sexo”[3]! Enfim meus amigos esse é o contexto racial de Salvador que tem sido celebrado e o qual tem sido confrontado nos últimos anos.

Quem fala de racismo é quem nunca sofreu, quem fica preso são os inocentes, quem fala de fome são os que sempre andaram de barriga cheia, e ainda temos que ouvir o pessoal dizer como nós temos que nos posicionar em relação ao racismo ou que fazemos o discurso das vítimas! É mole ou quer mais! É essa ideia de democracia, igualdade e liberdade (para eles) que as elites querem consolidar em Salvador. Consolidar não, empurrar goela abaixo na população! E nós, que não concordamos com essa inversão descarada de valores que querem impor, somos acusados de querer o retorno a uma África estática, de fazermos racismo às avessas e de todos os rótulos e termos que possam silenciar e ridicularizar as vozes discordantes, ou seja, ou aceitamos ou somos ridicularizados como atrasados! Talvez essas palavras caiam no esquecimento hoje à noite, pois no momento que as escrevo, descubro que haverá o show da “negra loura”. Também não me importo, o que eu queria já fiz: me expressar. Mostrar a essa elite super-legal, que na Bahia há pessoas que raciocinam e discordam. Certa vez me perguntaram se eu percebia um progresso da situação racial em Salvador, parafraseie Malcolm-X quando um repórter lhe perguntou se a situação racial nos Estados Unido havia melhorado ao que Malcolm respondeu:

Não, não. Eu nunca direi que está havendo progresso. Se você me apunhá-la e tira a metade do punhal, não há progresso. Se você o retira todo, não há progresso. Progresso, é curar a ferida causada pela punhalada. Você nem admitirá que o punhal está lá.

Penso que a esta frase, com todas as suas reservas, ilustra de maneira irrefutável a ilusão da “falsa igualdade” das relações raciais na Bahia. E nesse sentido, mesmo sendo ridicularizado por não concordar com essa hipocrisia que assumo a célebre frase de Huey Newton, fundador do partido Black Panther (Panteras negras): É melhor morrer de pé do que viver a vida toda de joelho, só que para morrer de pé, os fundadores do partido Huey Newton e Bob Seale (no seu contexto estadunidense) tiveram que enfrentar dois problemas centrais: a inércia e a ignorância da comunidade negra. Esse problema (a ignorância sobre o passado africano), por sua vez, parece ser o mesmo empecilho que mantém “insensível” uma parte da comunidade afro-soteropolitana e contribui para coexistência com este tipo de contrassenso! É pela falta de questionamentos a esses tipos de forçação que a BAHIA E O NEGRO É, SERÃO CARICULTURALMENTE LINDOS!

[1] Graduado em História (bacharelado) pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL) – 2006. Mestre em Estudos Africanos pelo Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia CEAO/UFBA – 2011.2.

[2] Termo derivado da série americana Tarzan: o rei das Selvas que de uma forma indireta terminava por ser implicitamente a saga de conquista do homem branco nos territórios africanos colonizados.  África tarzaniana foi um termo ouvido por mim de um antigo professor de história – Guimário – ao fazer uma pergunta em um curso que participávamos sobre a história contemporânea de Angola.

[3] Essa situação “dantesca” me foi relatada por uma pessoa muito próxima à minha família!

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