terça-feira, 13 de setembro de 2011

Terras maternas de Carlos Malungo

Segundo o Wikipédia: "Mãe também é, para todos os efeitos, aquela pessoa do sexo feminino que adota, cria, e cuida de uma criança gerada por outrem. Encontra-se com frequência casos em que uma mãe desempenha o papel de mãe e de pai em simultâneo, e outros casos (mais raros) em que o pai cumpre o papel de pai e de mãe. Já outras famílias são compostas por duas mães ou por dois pais. Em certos casos a comunidade, o Estado, ou até mesmo outras crianças procuram fazer o papel de mãe na vida de certas crianças ou adolescentes".

A capa nos remete a uma cabana localizada em alguma região  fora dos centros urbanos, com simplissidade e grandeza tipicas, onde a presença afrodescendente se fez ou se faz presente. E nos convida a nela entrar para ouvirmos calorosas histórias cantadas. O cantor, compositor, instrumentista e arranjador Carlos Malungo em Terra Mãe (sd), cd composto por 10 canções, mais uma faixa-bônus, onde a levada afro é forte e marcante, mesclada com suingues reggae-samba-funk-baião, produziu um rico registro em ritmos e sonoridades, nestes tempos em que as culturas de matriz africana produzidas pelos seus próprios membros, dentro da politica do faça você mesmo, começam a entrar em evidencia. Terra Mãe, é ação motora semelhante ao poema Adeus à hora da largada, do poeta angolano Agostinho Neto: "Sou eu minha Mãe/a esperança somos nós/os teus filhos/partidos para uma fé que alimenta a vida".

 
Não sei dizer se é devido ao gosto pela leitura e por documentação, que tenho certa fissura por encartes. Foi assim que muitos como eu aprenderam palavras em língua estrangeira, incluindo a memorização das letras lidas e ouvidas, compreendemos melhor termos que a dicção deixa ambígua ou confusa, tomamos contato com a ficha técnica de cada composição, sua história, seus músicos,  etc. 

 
A meu ver é apenas um encarte detalhado (não somente com fotos e sem créditos) que falta neste excelente trabalho de Carlos Malungo. Mas, talvez isto seja um mero detalhe. Saia dançando com “Menino Levado” em uma pista black nostalgia degustando acarajé e “algo mais do som de Salvador”. Quem curte reggaes rasgados vai se soltar em “Cuidado” e “Desejos”. Orikis afetivos são identificados na poética “Rainha” (Mariana). Pelo título “Oh! Mãe África”, que reporta ao poema “Protesto”, de Carlos de Assumpção, sugere um lamento meio blues na introdução, mas desenvolve um rítmico “clamor de justiça e paz” onde as desigualdades ainda imperam. 


Soando como um leve reporte aos primórdios da Banda Black Rio, “Retirante” faz uma fusão xote-funk. “Coletânea” retrata uma humorada reflexão aos insaciáveis desejos por novidades constantes: “Tudo que é velho dizem que não presta/ um dia eu também não vou prestar”. A ecológica “Planeta Azul” faz indagações metalinguísticas a sentimentos e consciências.  Para finalizar, “O Sistema”, é pra dançar pensando, como dizia o saudoso Zé Rodrix, pois indaga: “Até quando vamos esperar pela providência dos oráculos?”. O bônus fica por conta do remix de “Coletânea”. As canções de Terra Mãe são assinadas por Carlos Malungo, incluindo parcerias com Carlinhos Cajuhy, Messina, Julio C. Costa, Lira e Jaqueline M. Boada Pimenta. Bença, Mãe!


Contatos:
Carlos Malungo - malungoc@bol.com.br
Rua Brigadeiro Tobias nº 174 – ap. 25 – SP/SP
(011) 8547-9503/3313-0185


O.I.K.

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